30 de janeiro de 2026

O que tem pra hoje?
O que tem pra hoje?
30 de janeiro de 2026
Loading
/

Estamos de volta. Estamos de volta? Não sei. Só sei que estamos aqui hoje. 😉

Tal qual o Orkut que todo ano volta sem voltar, estamos aqui porque o que tem pra hoje é a necessidade de se consumir mais ficção científica. Certa vez um grande amigo me falou que ficção científica era igual pizza: mesmo quando ruim, é bom. De fato, muito difícil encontrarmos uma pizza tão ruim que não valha a pena terminar ao menos uma fatia. De igual maneira, difícil encontrar um livro de ficção científica que seja tão ruim que não valha a pena terminar a leitura.

Mas o que tem pra hoje não é pizza ruim e muito menos livro de ficção científica ruim. trago uma pequena lista de livros que consumi desde meados do ano passado para recomendar quem quiser se deliciar com boas obras de ficção científica. Senta que lá vem uma pilha de recomendações:

Começo pelo The Every. Esta é uma sequência ao The Circle, de Dave Eggers. Eu havia lido o The Circle há uns anos. O livro é excelente. Uma narrativa bem legal e que o filme não fez jus. A história em The Every não trata da mesma protagonista do The Circle, embora ela apareça em alguns momentos. E talvez isso é que faça o The Every ser muito bom. A história mostra a trajetória de uma ativista que deseja trabalhar em uma empreitada de atacar a mesma empresa do livro The Circle (que agora se chama The Every) por dentro. Então você pode acompanhar todas as ações que ela vai desempenhar para tentar diminuir os impactos ruins desta empresa na sociedade. As referências com a realidade são gritantes e inevitáveis. Adorei este livro e se você curtir a ideia, chamoa a atenção para o capítulo 21. Neste capítulo a protagonista experimenta uma série de situações que acho que muita gente pode identificar com a realidade em diferentes circunstâncias. Recomendo demais.

Minha segunda recomendação é tripla ou quadrupla, dependendo de como você quer encarar. O problema dos três corpos é u primeiro livro de uma série de três chamada Lembranças do Passado da Terra escrita pelo chinês Cixin Liu. Esta série é fabulosa. Te garanto que tudo o que você pensa sobre ficção relacionada a exploração espacial vai mudar depois da leitura desta série. Cada um dos livros é excelente. O primeiro é o problema dos três corpos. Na sequência, a floresta sombria. Por fim, O fim da morte. Cada um conta um pedaço de uma longa história com várias ramificações sobre a interação entre a humanidade e uma outra civilização. Sobre esta série há duas produções televisivas. Uma está disponível no Netflix. A outra é chinesa e está no YouTube com legendas em inglês. Se você já assistiu a série do Netflix, devo dizer que muita coisa da história é alterada para fazer sentido na série. Nada que comprometa, mas eu preferi muito mais os livros. Não vi a serie chinesa ainda. Permaneço com as imagens que o livro me fez construir e que fizeram um impacto muito forte na cabeça.

Mas eu disse que esta é uma recomendação quadrupla. Se você quiser entrar no universo do Cixin Liu, minha recomendação é a de que comece por um livro anterior chamado Ball Lightning. Este livro serve para duas coisas: a primeira delas é apresentar o jeito do autor de escrever. Quando a gente está lendo às vezes um monte de trechos parecem meio que desnecessários… Mas aí a história avança e, lá na frente, alguma coisa que se referencia a essa parte que você estava achando desnecessária acontece e tudo se conecta de um jeito maravilhoso. A outra função deste livro é apresentar uma personagem que aparecerá lá no segundo livro da série do problema dos três corpos. Uma intertextualidade muito legal.

Sigo minhas recomendações com duas leituras de um dos meus autores favoritos de ficção: Daniel Suarez. Este autor é fenomenal. recomendo todos os livros dele. A cada trecho de suas histórias conseguimos imaginar as cenas sendo desenroladas numa tela. Ele descreve muito bem as situações e enreda histórias muito interessantes. As leituras que fiz dele recentemente são os dois livros publicados da série Delta V. O primeiro livro se chama Delta V e o segundo é o Critical Mass. Eles contam a história da corrida por exploração extraplanetária de recursos naturais. O primeiro livro vai te fazer sentir ainda mais raiva dos bilionários empreendedores e suas estratégias nada ortodoxas. O segundo livro, Critical Mass é uma excelente sequência para ajudar a fechar as pontas soltas que ficaram no primeiro livro. Recentemente descobri que o plano era uma trilogia, o que deixa a gente com muita curiosidade para saber o que será feito com a situação que se desenrola ao final de Critical Mass. bastante promissor. Recomendo veementemente.

Os dois últimos livros que tenho pra hoje são de outro autor muito bacana: Andy Weir. É o mesmo cara que escreveu o The Martian, que é excelente. Este livro é tão legal que eu não assisti o filme do Matt Damon até hoje justamente para não estragar a experiência que eu tive com o livro. Do Andy Weir eu passei recentemente pelo Artemis, que trata de assunto correlato com o que o Daniel Suarez fala lá no Critical Mass. Artemis é o nome de uma cidade construída na superfície da Lua. Lá acontecem uma série de coisas bem bacanas e a protagonista do livro se vê envolvida em um monte de bagunça. Livro rápido, de leitura bem interessante e com uma história bastante envolvente. De igual maneira a minha última recomendação: Project Hail Mary (ou, em português: devoradores de estrelas). Eu acho que o nome em português entrega muito da história e prefiro o título em inglês. Sei que este livro vai virar um filme também que vai estrear em 2026. Entretanto, não está nos meus planos assistir. O livro já me foi suficiente.

Project Hail Mary conta a história de uma missão para investigar uma anomalia que cientistas perceberam estar acontecendo com o nosso sol. Uma trama muito legal que, tal qual com o The Martian, te deixa num estado de ansiedade constante porque o tempo todo tem algo acontecendo. O livro é fabuloso e se você topar encarar, te desafio a não terminar este livro com os olhos embarcados. O desfecho é emocionante.

Tem mais, claro, mas vou deixar para uma próxima. Terminei há alguns dias o primeiro livro da Saga Silo e estou no segundo. Mas deixarei para falar deles em uma outra ocasião.

Por agora, quero encerrar com uma reflexão: estes livros foram consumidos por mim no formato de áudio. Há tempos eu consumo audiolivros e me peguei recentemente percebendo que não falei nada ou quase nada sobre este formato. Se você nunca escutou livros, eu recomendaria que experimentasse. Há muitos livros em formato de áudio disponíveis gratuitamente na rede para você ouvir e vários aplicativos para telefone para você experimentar sem ter que gastar dinheiro. Isso vai ser bacana para você experimentar o formato. Como disse, eu adoro. Sei, claro, que há muitas críticas com relação a esta forma de consumir livros. Afinal, sabemos que o esforço cognitivo de ler é muito superior ao de ouvir. Este, o de ouvir, é superior ao de ver. Por isso que assistir um filme demanda menos esforço do que ler um livro. De fato, assistir um filme é uma atividade quase plenamente passiva. Está tudo ali na tela. É diferente de ler um livro. Você precisa se dedicar à leituras das palavras, entender as frases e construir em sua imaginação o que está ali impresso. O audiolivro, em minha opinião, fica no meio do caminho. Eu acho muito bacana ouvir livros em versões em inglês e no formato Unabridged. Gosto dos textos em inglês porque me ajudam a treinar a prática de compreender o idioma. As versões unabridged são aquelas em que o livro é lido na íntegra. Isso é muito legal porque é quase como ler o texto. Palavra por palavra. Alguns títulos, inclusive, são livos pelos próprios autores, o que é muito legal. Embora seja tentador a gente deixar o livro rolando enquanto faz outra coisa, minha recomendação é a de dedicar ao processo e tentar apenas ouvir. Isso garante uma maior imersão. Mas é claro, eu não resisto e ouço muito enquanto estou sozinho no carro ou passeando com o cachorro. É excelente. Há esquinas que quando eu passo eu me lembro de coisas dos livros que aconteceram ali. Muito bacana a experiência.

Para quem ficou com curiosidade, recomendo, para quem insiste em criticar o formato e argumentar que a experiência é inferior, lembro que pessoas cegas usam muito o formato para estudar e, pelo que sei, o formato não deixa nada a desejar.

Bem, encerro esta edição do “o que tem pra hoje” que tem cara de “as leituras das minhas férias” com a promessa de um dia voltar se eu tiver algo mais para falar. Não sei se vai ser amanhã, nem semana que vem, mas a gente vai ter sempre alguma coisa para refletir e discutir por aqui. Então assine este podcast onde quer que você esteja ouvindo e qualquer coisa, é só falar.

Não se Meta em minha vida

A primeira vez que eu tive contato com a ideia de que “cada $ que você gasta em algo é um ‘voto’ que você dá para esta coisa” foi no livro Rework, do Jason Fried.

A ideia é mais ou menos essa: se você quer que um negócio local prospere, a melhor coisa que você pode fazer é consumir os produtos desse negócio repetidas vezes. O mesmo vale para plataformas e serviços que usamos na internet. Em tempos de economia da atenção, cada segundo que passamos em uma dada plataforma é um ‘voto’ que damos para esta plataforma e um incentivo para que ela continue existindo.

Nesse sentido, se você acha que uma plataforma não é bacana, a melhor coisa que você pode fazer é parar de usar aquela plataforma.

Desde o que aconteceu nas eleições norte-americanas de 2016 e ficou escancarado no caso da Cambridge Analytica, várias luzes vermelhas acenderam e eu passei a ter um crescente nojo/ódio do Facebook e de suas plataformas por proporcionarem isso, negarem os impactos e repetidas vezes se colocarem do lado mais babaca da história.

Sobre o assunto, recomendo algumas leituras e produções audiovisuais:

Enfim… desde então eu fui reduzindo o uso das plataformas do Facebook e tentando me retirar completamente delas. A motivação é simples: cada segundo que eu passo numa das plataformas do Facebook, é um ‘voto’ dado a elas. E eu não quero dar este voto.

Falando nisso, eu alterno entre Facebook e Meta para me referenciar à empresa e gosto sempre de reforçar que essa bobagem de metaverso foi um excelente caso de rebranding e controle de danos que deveria estar em todos os livros básicos de gestão de marcas para ensinar através de um caso real. Mas estou digressando…

Algumas pessoas argumentam ser ‘impossível’ abandonar o WhatsApp ou o Instagram (isso já foi discutido, por exemplo, no Calma Urgente [1, 2] e no Manual do Usuário). Bem, eu acredito ser plenamente possível.

Eu estou sem nada da Meta/Facebook em meu telefone pessoal desde dezembro de 2025. Troquei de telefone e optei por não instalar nada. Comprei um chip pré-pago para manter no telefone antigo apenas porque alguns grupos de trabalho ainda funcionam no WhatsApp. Minha vida está correndo tranquilamente. O WhatsApp pra mim, hoje, é como um e-mail profissional (já que muita coisa do trabalho acontece apenas por lá).

Nesse sentido, eu digo que sim, é plenamente possível viver sem. Afinal de contas, meu trabalho não é a minha vida.

O telefone com WhatsApp fica em uma gaveta. Configurei a conta para dar uma resposta automática a quem fizer contato por lá dando meu handle no Signal e meus e-mails. Isso para o caso de mensagens urgentes.

Fiz consultas e exames médicos no início do mês de janeiro de 2026 e marquei tudo pelo telefone. Sem WhatsApp.

A vida é plenamente possível sem aplicativos da Meta.

O telefone com WhatsApp é cada vez menos usado. Por dias passa na gaveta descarregado até eu lembrar que ele existe. Quando eu o ligo há pouca coisa (quase nada) para ver no WhatsApp.

Reforçando o que o Jaron Lenier fala em “O dilema das redes”, eu acho o cúmulo do absurdo que, para trocar uma mensagem com um colega de trabalho que está a 20 metros de minha sala, a nossa conversa precise passar por um servidor da Meta em outro país e seu conteúdo ser usado para alimentar ferramentas de publicidade altamente direcionada que vão afetar os dois interlocutores da conversa no Instagram.

Pois bem. Eu tenho para mim que a Meta e seus diferentes produtos representam um câncer em nossa sociedade. Recentemente tive a ideia de – para além de não usar seus produtos – alertar outras pessoas para os perigos. Uma das coisas que quero fazer é uma camiseta para silenciosamente mostrar nas ruas a ideia. Cheguei a essa estampa:

Fique à vontade para usar o arquivo e fazer a sua camiseta também.  Pode modificar o quanto quiser. O arquivo foi feito no Krita e o tipo de letra usado é este.

Então podemos ter uma terceira parte de Delta-V? Oh!

Estava aqui pensando comigo mesmo que eu li todos os livros do Daniel Suarez. Sem sombra de dúvidas, um de meus autores favoritos!

Embora o meu preferido seja o Influx, tenho especial carinho pelo Daemon/Freedom.

Na real todos são bons. Mas estava pensando no livro mais recentemente lido: Critical Mass. Estava pensando como o livro deixa a gente numa espécie de cliffhanger porque há indícios (pelo menos eu entendi assim) de que uma personagem ainda esteja viva e em uma nova missão (que, até quase ao fim do livro, é desconhecida), no espaço. O livro acaba e eu fico com essa dúvida.

Daí hoje eu topei com esta postagem sobre o livro e uma frase me chamou a atenção: “Set after the events of Delta-v, the first novel in Suarez’s projected Delta-V trilogy“. Peraí, então foi planejada uma trilogia! Há esperanças de que um terceiro livro ainda seja escrito / lançado para falar o que possivelmente aconteceu com esta personagem? Isso é muito bom!

Enquanto isso sigo lendo a trilogia Silo (ainda no primeiro) e curtindo.

Mais um argumento em prol da necessidade de letramento digital

“Todo mundo” (generalização proveniente do senso comum) se enxerga como digitalmente alfabetizado. De igual maneira, “todo mundo” que já precisou começar e terminar um texto no Word ou fez uma autossoma no Excel se acha usuário avançado do Office. Fato é que nem todo mundo é qualquer das coisas. Nesse sentido, a argumentação do senso comum é a de que bloquear acesso às plataformas sociais até os 16 anos é “exagerado”. Na mesma lógica, é falacioso o argumento de que o que importa é o que as pessoas acessam e que o tempo de tela é menos relevante.

Novamente duas concepções equivocadas. Equivalem-se à lógica do poder do controle remoto que seria o instrumento que ajudaria as pessoas a escolherem programas de TV de alta qualidade em detrimento de programas apelativos e de baixo teor de reflexão. Isso é tão equivocado e distante da realidade que estamos entrando na 26ª temporada do Big Brother Brasil e o Luciano Huck segue reinando aos domingos. Ou seja: a argumentação de que a sociedade já está equipada para decidir o que deve consumir e o faz pensando em qualidade é completa bobagem. A restrição ou mesmo a proibição do acesso a plataformas de mídia social não deve ser encarada como punição ou censura. É cuidado.

Paralelamente a essas ações de restrição de acesso, devem existir ações educativas para que se compreenda o funcionamento dos dispositivos, das plataformas e das demais ferramentas e recursos que orbitam nesse sistema. Isso é importante para capacitar minimamente as pessoas ao uso de tecnologias digitais interativas.

Isso tem relevância porque precisamos coletivamente saber lidar com todos os recursos que usamos em nosso cotidiano. Quando éramos crianças, adultos responsáveis nos ensinaram a operar um fogão de modo que não nos machucássemos e nem que provocássemos acidentes mais graves.

Hoje não há qualquer paralelo a estes ensinamentos com relação ao digital. No entanto, o digital faz parte de nossas vidas tal qual o fogão e usamos smartphones com maior frequência do que usamos o fogão. Embora os riscos de acidentes físicos não sejam tão imediatos quanto os riscos do uso do fogão, as consequências e a extensão dos estragos podem ser muito superiores. Desde a disseminação de desinformação até o risco de prejuízo financeiro por golpes ou mesmo as questões de segurança cibernética e, claro, a saúde mental.

Entendo que causa enorme preguiça considerar isso tudo quando o que parece estar envolvido é “apenas” a ação de rolar a tela e assistir videos curtos numa plataforma qualquer. Mas é importante considerar que usar uma plataforma social é algo muito mais complexo e proporciona imediatamente muito mais consequências do que fazer pipoca no fogão.

A ausência de cuidados com a alfabetização digital é de interesse das plataformas. Afinal, qual o benefício para elas das pessoas saberem que seus serviços são usados para a coleta extensiva de dados comportamentais das pessoas?

Colocar a questão da alfabetização digital em segundo plano tem consequências graves. Para a segurança, por exemplo, há graves impactos com estragos potenciais enormes quando uma pessoa decide instalar uma VPN em seu celular para acessar um aplicativo com restrição de uso em seu país ou mesmo para consumir conteúdo específico numa plataforma de streaming. Entretanto, nada ou quase nada sobre isso é colocado em pauta.

De maneira semelhante, não se conversa sobre as formas de identificar conteúdo sintético ou de se proteger contra golpes em plataformas sociais e aplicativos de namoro. O que se faz é culpar e ridicularizar as vítimas depois que o golpe é descoberto ao mesmo tempo em que se trabalha a sedução de encontrar o grande amor da vida pela tela do celular.

Não se conversa sobre as consequências de encaminhar vídeo sintético em aplicativos de mensagens (ainda mais em contexto político-eleitoral). Não se fala sobre como fazer a leitura de um vídeo de “análise política” antes de acreditar ou mesmo repassar em massa. Ainda assim, coletivamente, as pessoas tendem a afirmar proficiência no digital. Só que “usar muito” não significa ser proficiente.

E nisso a gente vai se enganando achando que o acesso a essas plataformas deve ser irrestrito e que o que importa é “seguir as pessoas certas”. Nada mais longe do adequado.

Sobre Podcasts e Audiolivros

Podcasts são muito bacanas. Escuto vários e gosto muito de me manter informado sobre temas específicos que me interessam mas que não são, digamos, a coisa mais comum de achar por aí em noticiários. Eu gosto de ouvir as histórias do Darknet Diaries, que são sempre muito boas. Procuro ficar por dentro do que acontece nos confins da internet desde sempre acompanhando o P. J. Vogt desde a época do TLDR, passando pelo Reply All e agora no Search Engine. Outro que curto muito é o 99% invisible, que sempre tem algo bacana para ensinar e, para não falar que não escuto nada em português, o Medo e Delírio em Brasília, o Foro de Teresina, A Hora e o Boa Noite Internet também estão em minhas listas. Gosto muito também do formato de podcasts documentais. Escutar histórias e aprender por meio de relatos em áudio é muito bacana. This American Life e Land of the Giants que o digam.

Só que essas coisas vão e vem.

De vez em quando, sem bem perceber eu acabo mudando as coisas que escuto. Acho que deve ser a terceira vez em minha vida que eu dou uma pausa na audição constante de podcasts para escutar livros. Outro dia me peguei refletindo sobre isso quando uma colega professora me perguntou o que eu andava ouvindo (em termos de podcasts) e eu me dei conta, ao respondê-la, que havia algumas semanas que eu não escutava um episódio novo justamente porque havia voltado a escutar livros.

Embora exista quem não aprove ou não ache produtivo escutar livros, eu acho muito legal. Obviamente tenho em mente que o esforço cognitivo de escutar um livro é inferior ao de ler o livro no sentido estrito. Mas tudo bem. Além disso, tem a questão da distração e de estar escutando um livro enquanto faço outra coisa (em meu caso, normalmente esta outra coisa é estar dirigindo ou passeando com o cachorro aos finais de semana). De qualquer forma, da mesma maneira que a gente precisa de vez em quando voltar umas páginas quando está lendo um livro e se pega distraído e precisa ler novamente um trecho para entender melhor, quando isso acontece com um audiolivro, eu volto alguns minutos e tento entender melhor o que acabou de ser falado.

Fato é que escutar livros é muito bom.

Prefiro ouvir livros de ficção mas não me prendo a eles. Recentemente ouvi o “This is for everyone” do Tim-Berners Lee – lido pelo Stephen Fry – e também o “Technofeudalism”, lido pelo próprio autor, Yánis Varoufakis. Ambos são não-ficção. Também passei pelo “Careless people”, que me fez passar enorme raiva da Meta, da Sheryl Sandberg e do Mark Zuckerberg (se fosse possível ter mais raiva deles), escrito pela Sarah Wynn-Williams e o “Enshitification”, escrito pelo Cory Doctorow.

Antes deles passei pela belíssima trilogia de Liu Cixin: “The Three Body Problem“, “The Dark Forest” e “Death’s End” começando por aquilo que alguns consideram um prequel (mas não é) que é o “Ball Lightning“. São quatro livros fenomenais que recomendo imensamente. Ficção das boas. Talvez a leitura dos livros do Liu Cixin tenha sido uma experiência tão bacana quanto foi, anos atrás, ler os seis livros de Duna, do Frank Herbert.

Falando nisso, intercalando com as não ficções que falei acima, eu li os dois mais recentes do Daniel Suarez “Delta V” e “Critical Mass”. Este autor é fantástico. Dele eu também já havia lido “Daemon” e “Freedom”, “Kill decision”, “Influx” (o meu preferido dele) e “Change agent”. Estes todos, no entanto, li há mais tempo, acho que na segunda onda de audiolivros que eu entrei.

Ler ou ouvir?

Acima eu me peguei me referenciando a audição dos livros como leitura. Percebam que pra mim, ler e ouvir não são muito diferentes. Tanto que eu me refiro ao consumo de audiolivros como leituras. Certa vez eu ouvi o Leo Laporte falando isso (deve ter mais de 15 anos que ele falou isso em algum episódio do TWiT e a coisa ficou em minha cabeça) e eu simplesmente assimilei.

Enfim, sempre que penso nas controvérsias a respeito da qualidade (ou da falta dela) da audição de audiolivros eu me ponho a pensar em pessoas cegas. Será que as pessoas cegas – que se beneficiam enormemente de audiolivros – têm uma experiência de leitura, aprendizado e apreensão das informações inferior por causa do formato dos livros? Eu penso que não. Então, pra mim, ouvir é ler.

Pois bem. Fato é que há alguns meses eu dei uma pausa na audição de podcast e estou bem atrasado em vários deles. Alguns – presos ao tempo – como A hora, o Foro e o Medo e Delírio, eu vou acabar pulando. Outros, que são atemporais, estão aqui me esperando. Carinho especial para o Darknet Diaries.

O que rola portanto é que estou novamente em um momento de audiolivros e queria compartilhar (acho que ainda não havia falado aqui) que eu curto muito o formato e tenho muita preguiça do eventual preconceito que algumas pessoas possam ter com relação a audiolivros. Lembro que falei das minhas leituras anteriormente e não mencionei que eram leituras de audiolivros…

Se você fica muito tempo no trajeto para escola ou trabalho, sugiro experimentar. Meus deslocamentos são relativamente longos e eu percebo que a experiência muda bastante quando estou escutando um livro. Além disso, como vocês devem ter percebido, os audiolivros que mencionei estão em inglês e o processo de ouvir em inglês é excelente para manter a prática.

O meu plano deu errado :-)

Eu adoro este efeito sonoro do Medo e Delírio em Brasília que coloquei acima. Provavelmente é o meu preferido. Muita gente sabe porque deve ser o áudio que eu mais compartilho nos diversos grupos de mensagens que eu participo.

Ele é bacana porque resume a ideia deste post: o meu plano deu errado 🙂

Bem, deu errado o meu plano de trocar o meu iPhone XR por um iPhone 16e na black friday. eu simplesmente falhei miseravelmente no meu projeto de monitorar o preço e encontrar uma boa barganha para trocar de aparelho.

E daí, passou a black friday e eu estava com um telefone com 7 anos de uso (comprado em 2018) e que, digamos, tem uma performance abaixo da média ou do esperado.

Para acelerar a coisa, como bom ansioso que sou, lá em meados de novembro eu comprei um eSIM antecipando a transição e já havia migrado o WhatsApp para este novo número. Ou seja: eu estava com um plano 50% executado e ainda com o WhatsApp em meu aparelho, o que já me incomoda há muito tempo.

O incômodo é que, por causa da comodidade a gente acaba cedendo e um aparelho de uso pessoal acaba virando aparelho de trabalho. Isso pode ser bem interessante em certos momentos. Em outros, no entanto, você se vê trabalhando num domingo de tarde, hora em que deveria estar descansando. Talvez esse tenha sido o principal motivador de meu plano. Eu precisava muito separar trabalho da vida pessoal e, como um brinde, não ter aplicativos da Meta em meu telefone de uso pessoal.

Foi aí, passada a black friday, que me ocorreu: o que me prende à Apple? Eu eu acabei percebendo que… nada, na verdade.

Esta epifania foi decisiva. Passei a olhar um aparelho Android que fosse semelhante ao que o iPhone 16e me entregaria. Acabei achando um que custou 30% menos do que o iPhone me custaria e, em tese, vai me dar ao menos três anos de uso (podendo ser mais) mas vamos voltar a isso ao final de 2028…

De fato, Nã há nada que me prenda à Apple e já tem uns dias que estou usando um telefone Android. É um Redmi Note 14 Pro.
O aparelho tem me atendido muito bem. Consegui transferir praticamente tudo o que eu fazia no iPhone para o aparelho novo. Claro que tem algumas coisas que são diferentes, mas nada que me incomode tanto (ainda).

Não há um aplicativo nativo como o Saúde, da Apple. Então hoje eu fiz uma longa caminhada com meu cachorro e não pude saber quantos passos eu dei. Uma inconveniência, digamos, insignificante.

Há coisas, claro, que me incomodam mais do que simplesmente um contador de passos e com as quais ainda não consegui lidar plenamente. O aplicativo de gestão de senhas do Google que fica me importunando constantemente e eu ainda não consegui remover ou desabilitar é uma dessas coisas. Há também o tal Google Gemini, que eu já devo ter desabilitado ou recusado umas três vezes mas vez por outra ele ainda aparece na tela num tom voluntarioso mais falso que uma nota de três reais. Aplicativos nativos da Xiaomi também me incomodam um pouco. Há um navegador que não consegui desabilitar ou remover e uma segunda loja de apps que vive me falando de atualizações de apps que não estão instalados.

De qualquer forma, acho que são coisas com as quais eu vou acabar aprendendo a lidar ou resolver mais cedo ou mais tarde.

Para quase todo o resto, estou me adaptando bem. Ainda, claro, em busca do aplicativo ideal para usar o Mastodon. No iOS o Mona é incontestavelmente o melhor. Ainda não achei nada parecido para Android. Tenho gostado do Tusky e do Fedilab. Não se comparam ao Mona, mas são Ok.

O teclado tem umas pequenas inconveniências também. Eu havia me acostumado muito com a funcionalidade do teclado do iOS que, ao apertar e segurar a barra de espaços, eu poderia navegar com o cursor pelo parágrafo até achar o ponto ideal para fazer uma edição. No Android, apesar de o teclado ser bastante confortável, não consegui ainda realizar esta mesma ação.

Ah… há uma outra coisa que no Android é BEM diferente do iOS. A loja de aplicativos mostra os resultados de um jeito muito estranho. Os resultados não parecem confiáveis. Acho que vou acabar buscando uma solução de loja alternativa, mas confesso que ter três lojas de aplicativos instaladas no telefone me parece um pouco demais.

Tenho certeza que as coisas que me incomodam ou com as quais eu ainda não consegui lidar no Android são fáceis de resolver e apresentam soluções bem tranquilas. É apenas questão de tempo. De qualquer maneira, fato é que eu estou agora com um telefone Android

As big techs não são inevitáveis

Hoje topei com esta postagem no LinkedIn do Tuta (uma das empresas que vale a pena seguir por lá). A postagem falava de formas e alternativas para fazer o deGoogle.

Quando a gente fala em deGoogle as pessoas costumam torcer o nariz de antemão. Puro pre-conceito.

A ideia é bem simples: garantir independência e privacidade. Tentar minimizar os impactos da vigilância, do monitoramento e de mensagens publicitárias altamente direcionadas e invasivas.

Precisamos fazer um deGoogle, um deMicrosoft, um deMeta e vários outros processos de detox destas plataformas.

Importante sempre procurarmos soluções que nos deem independência e não nos isolem do mundo que vivemos. Eu uso o mínimo que posso dos serviços destas plataformas e acredito que todos devamos fazer isso.

As empresas chamadas Big Tech (não sou o maior fã deste nome porque parece que ser grande vira um problema, mas o buraco é mais embaixo) se colocam como inevitáveis. Entretanto, elas não são. A gente pode viver plenamente a nossa vida digital sem precisar depender delas.

Jaron Lenier diz no livro “Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais” e também no depoimento dele no “O dilema das redes” que a gente não precisa ter uma mensagem de texto que envio para o meu vizinho passando por um servidor da Meta em outro lugar do mundo. A gente pode ter soluções melhores para isso.

As big techs não são inevitáveis.

PS: Se quiser mais ajuda nesse caminho, há um excelente sub a respeito: r/degoogle

E se…

E se a gente usasse uma plataforma social sem manipulação algorítmica? Esta plataforma existe e se chama Mastodon
Além dela, muitas outras que usam o protocolo ActivityPub funcionam de forma federada e integrada, sem manipulação algorítimca e com uma comunidade vibrante de pessoas interessantes.

Mas… por quê?

Plataformas algoritmicamente manipuladas vão prejudicar os usuários sempre que a pressão por faturamento aparecer. Em um esquema independente, pessoas e instituições não estarão sujeitas a isso. As conversas podem acontecer de maneira mais orgânica e direta.

O Mastodon (e demais plataformas que funcionam usando o protocolo ActivityPub) tem essa capacidade de uma entrega de informações a 100% da audiência e o mais importante: controle nas mãos de quem usa.

Marcas, instituições e pessoas podem se beneficiar enormemente de plataformas assim.

Imaginemos uma prefeitura, uma escola, uma empresa com a sua instância. Pessoas que queiram fazer parte de uma comunidade poderão participar e efetivamente ter acesso a tudo que se publica. A comunicação acontece de uma forma mais completa e direta.

Basta tomar as rédeas do processo.

Participação no programa Panorama – TV ALMG

No último dia 09/12 foi ao ar o programa Panorama, da TV ALMG, no qual eu participei para comentar sobre os hábitos e comportamentos de jovens e adolescentes nas plataformas sociais.

Mencionei alguns estudos e fiz algumas referências em minha fala. Eis os links:

[e]spia – 06/12/2025

Neste final de semana rolou um evento muito legal na cidade. O Coletivo Errante de fotografia promoveu uma caminhada em grupo pela região central da cidade onde os participantes puderam registrar locais bem interessantes de Belo Horizonte. Fui chamado por um parente e lá fomos com nossos filhos para curtir.

Foi bem bacana encontrar pessoas (inclusive alguns ex-alunos muito queridos) e fazer uns registros legais de imagens da cidade. Neste post compartilho algumas fotos que tirei, mas há um drive coletivo com as fotos compartilhadas por todos que participaram.