Estamos de volta. Estamos de volta? Não sei. Só sei que estamos aqui hoje. 😉
Tal qual o Orkut que todo ano volta sem voltar, estamos aqui porque o que tem pra hoje é a necessidade de se consumir mais ficção científica. Certa vez um grande amigo me falou que ficção científica era igual pizza: mesmo quando ruim, é bom. De fato, muito difícil encontrarmos uma pizza tão ruim que não valha a pena terminar ao menos uma fatia. De igual maneira, difícil encontrar um livro de ficção científica que seja tão ruim que não valha a pena terminar a leitura.
Mas o que tem pra hoje não é pizza ruim e muito menos livro de ficção científica ruim. trago uma pequena lista de livros que consumi desde meados do ano passado para recomendar quem quiser se deliciar com boas obras de ficção científica. Senta que lá vem uma pilha de recomendações:
Começo pelo The Every. Esta é uma sequência ao The Circle, de Dave Eggers. Eu havia lido o The Circle há uns anos. O livro é excelente. Uma narrativa bem legal e que o filme não fez jus. A história em The Every não trata da mesma protagonista do The Circle, embora ela apareça em alguns momentos. E talvez isso é que faça o The Every ser muito bom. A história mostra a trajetória de uma ativista que deseja trabalhar em uma empreitada de atacar a mesma empresa do livro The Circle (que agora se chama The Every) por dentro. Então você pode acompanhar todas as ações que ela vai desempenhar para tentar diminuir os impactos ruins desta empresa na sociedade. As referências com a realidade são gritantes e inevitáveis. Adorei este livro e se você curtir a ideia, chamoa a atenção para o capítulo 21. Neste capítulo a protagonista experimenta uma série de situações que acho que muita gente pode identificar com a realidade em diferentes circunstâncias. Recomendo demais.
Minha segunda recomendação é tripla ou quadrupla, dependendo de como você quer encarar. O problema dos três corpos é u primeiro livro de uma série de três chamada Lembranças do Passado da Terra escrita pelo chinês Cixin Liu. Esta série é fabulosa. Te garanto que tudo o que você pensa sobre ficção relacionada a exploração espacial vai mudar depois da leitura desta série. Cada um dos livros é excelente. O primeiro é o problema dos três corpos. Na sequência, a floresta sombria. Por fim, O fim da morte. Cada um conta um pedaço de uma longa história com várias ramificações sobre a interação entre a humanidade e uma outra civilização. Sobre esta série há duas produções televisivas. Uma está disponível no Netflix. A outra é chinesa e está no YouTube com legendas em inglês. Se você já assistiu a série do Netflix, devo dizer que muita coisa da história é alterada para fazer sentido na série. Nada que comprometa, mas eu preferi muito mais os livros. Não vi a serie chinesa ainda. Permaneço com as imagens que o livro me fez construir e que fizeram um impacto muito forte na cabeça.
Mas eu disse que esta é uma recomendação quadrupla. Se você quiser entrar no universo do Cixin Liu, minha recomendação é a de que comece por um livro anterior chamado Ball Lightning. Este livro serve para duas coisas: a primeira delas é apresentar o jeito do autor de escrever. Quando a gente está lendo às vezes um monte de trechos parecem meio que desnecessários… Mas aí a história avança e, lá na frente, alguma coisa que se referencia a essa parte que você estava achando desnecessária acontece e tudo se conecta de um jeito maravilhoso. A outra função deste livro é apresentar uma personagem que aparecerá lá no segundo livro da série do problema dos três corpos. Uma intertextualidade muito legal.
Sigo minhas recomendações com duas leituras de um dos meus autores favoritos de ficção: Daniel Suarez. Este autor é fenomenal. recomendo todos os livros dele. A cada trecho de suas histórias conseguimos imaginar as cenas sendo desenroladas numa tela. Ele descreve muito bem as situações e enreda histórias muito interessantes. As leituras que fiz dele recentemente são os dois livros publicados da série Delta V. O primeiro livro se chama Delta V e o segundo é o Critical Mass. Eles contam a história da corrida por exploração extraplanetária de recursos naturais. O primeiro livro vai te fazer sentir ainda mais raiva dos bilionários empreendedores e suas estratégias nada ortodoxas. O segundo livro, Critical Mass é uma excelente sequência para ajudar a fechar as pontas soltas que ficaram no primeiro livro. Recentemente descobri que o plano era uma trilogia, o que deixa a gente com muita curiosidade para saber o que será feito com a situação que se desenrola ao final de Critical Mass. bastante promissor. Recomendo veementemente.
Os dois últimos livros que tenho pra hoje são de outro autor muito bacana: Andy Weir. É o mesmo cara que escreveu o The Martian, que é excelente. Este livro é tão legal que eu não assisti o filme do Matt Damon até hoje justamente para não estragar a experiência que eu tive com o livro. Do Andy Weir eu passei recentemente pelo Artemis, que trata de assunto correlato com o que o Daniel Suarez fala lá no Critical Mass. Artemis é o nome de uma cidade construída na superfície da Lua. Lá acontecem uma série de coisas bem bacanas e a protagonista do livro se vê envolvida em um monte de bagunça. Livro rápido, de leitura bem interessante e com uma história bastante envolvente. De igual maneira a minha última recomendação: Project Hail Mary (ou, em português: devoradores de estrelas). Eu acho que o nome em português entrega muito da história e prefiro o título em inglês. Sei que este livro vai virar um filme também que vai estrear em 2026. Entretanto, não está nos meus planos assistir. O livro já me foi suficiente.
Project Hail Mary conta a história de uma missão para investigar uma anomalia que cientistas perceberam estar acontecendo com o nosso sol. Uma trama muito legal que, tal qual com o The Martian, te deixa num estado de ansiedade constante porque o tempo todo tem algo acontecendo. O livro é fabuloso e se você topar encarar, te desafio a não terminar este livro com os olhos embarcados. O desfecho é emocionante.
Tem mais, claro, mas vou deixar para uma próxima. Terminei há alguns dias o primeiro livro da Saga Silo e estou no segundo. Mas deixarei para falar deles em uma outra ocasião.
Por agora, quero encerrar com uma reflexão: estes livros foram consumidos por mim no formato de áudio. Há tempos eu consumo audiolivros e me peguei recentemente percebendo que não falei nada ou quase nada sobre este formato. Se você nunca escutou livros, eu recomendaria que experimentasse. Há muitos livros em formato de áudio disponíveis gratuitamente na rede para você ouvir e vários aplicativos para telefone para você experimentar sem ter que gastar dinheiro. Isso vai ser bacana para você experimentar o formato. Como disse, eu adoro. Sei, claro, que há muitas críticas com relação a esta forma de consumir livros. Afinal, sabemos que o esforço cognitivo de ler é muito superior ao de ouvir. Este, o de ouvir, é superior ao de ver. Por isso que assistir um filme demanda menos esforço do que ler um livro. De fato, assistir um filme é uma atividade quase plenamente passiva. Está tudo ali na tela. É diferente de ler um livro. Você precisa se dedicar à leituras das palavras, entender as frases e construir em sua imaginação o que está ali impresso. O audiolivro, em minha opinião, fica no meio do caminho. Eu acho muito bacana ouvir livros em versões em inglês e no formato Unabridged. Gosto dos textos em inglês porque me ajudam a treinar a prática de compreender o idioma. As versões unabridged são aquelas em que o livro é lido na íntegra. Isso é muito legal porque é quase como ler o texto. Palavra por palavra. Alguns títulos, inclusive, são livos pelos próprios autores, o que é muito legal. Embora seja tentador a gente deixar o livro rolando enquanto faz outra coisa, minha recomendação é a de dedicar ao processo e tentar apenas ouvir. Isso garante uma maior imersão. Mas é claro, eu não resisto e ouço muito enquanto estou sozinho no carro ou passeando com o cachorro. É excelente. Há esquinas que quando eu passo eu me lembro de coisas dos livros que aconteceram ali. Muito bacana a experiência.
Para quem ficou com curiosidade, recomendo, para quem insiste em criticar o formato e argumentar que a experiência é inferior, lembro que pessoas cegas usam muito o formato para estudar e, pelo que sei, o formato não deixa nada a desejar.
Bem, encerro esta edição do “o que tem pra hoje” que tem cara de “as leituras das minhas férias” com a promessa de um dia voltar se eu tiver algo mais para falar. Não sei se vai ser amanhã, nem semana que vem, mas a gente vai ter sempre alguma coisa para refletir e discutir por aqui. Então assine este podcast onde quer que você esteja ouvindo e qualquer coisa, é só falar.




